Tomando como base este mito, o autor constrói, nesta novela, um Fausto diferente: periférico, subdesenvolvido, latino-americano, confuso e derrotado. Utilizando uma técnica narrativa adequada à 'vulgarização' da lenda fáustica, o autor parece dizer que a mesma não é um elemento intocável ou rarefeito de uma tradição esclerosada nem simboliza apenas o destino de elementos excepcionais da espécie. Pelo contrário, Fausto está em todos e é cada um dos humanos, em cada uma de suas contingências sociais e históricas. Como no Brasil e na América Latina do presente, onde Mefistófeles fala inglês e os desejos podem ser satisfeitos no supermercado da esquina. E assim Fausto transforma-se em "Faustino". Ou Faustinho.